
( “Só te falta ir à Lua”, dizem-lhe. “À Lua para quê?”, responde. “Tudo o que me interessa está aqui, na Terra”.)
Já que sugerimos tantas músicas e que a nossa agenda cultural começa a tornar-se mais completa com a ida para Braga, decidi propôr um livro. Já que ainda estamos em férias, aproveito para vos recomendar um livro, para isso mesmo, para ir de férias, para viajar, para conhecer novos horizontes dentro do próprio livro.
“Um livro (creio) é algo com um príncipio e um fim (mesmo se não for um romance em sentido restrito), é um espaço onde o leitor deve entrar, passear, até mesmo perder-se, mas a um certo ponto encontrar uma saída, ou talvez várias saídas” Italo Calvino
Não podia haver melhor nota introdutória para este livro do que esta citação. Um livro que nos arrasta consigo no mais belo dos passeios, na procura dos lugares, na insaciada viagem, que pede sempre mais.
Falo-vos do Gonçalo Cadilhe, sim! Aquele escritor que nos veio visitar à UM a convite do professor Paulo Nossa, que é seu amigo pessoal. Aquele senhor das crónicas no Expresso… Leiam, vale a pena! eu nestas férias li “A Lua Pode Esperar”, mas já existem vários livros disponíveis… Neles têm de tudo, a descrição dos lugares, as reflexões do autor (“será que vale a pena?”), as brincadeiras…os livros espelham um ser humano em descoberta, nao só do que é exterior, mas também, do interior. Coisas pequenas…
Deixo-vos dois excertos:
“Preparo-me para repetir uma das actividades mais intensas e emocionantes que conheço: caminhar. Quem dera não viajar de nenhuma outra maneira. Quem dera não ter que desperdiçar horas preciosas, desta breve coisa que é a vida, a ser transportado por comboios, autocarros e aviões, ou encolhido no automóvel – o símbolo do movimento, mas que afinal, nos conduz à mais ridícula forma de imobilidade: a posição sentada. A melhor percepção do mundo é-nos dada pelo ritmo dos nossos passos. Só que o mundo é demasiado grande, e tentar percorrê-lo a pé não passa de pura utopia. Guardo então as pernas para uma selecção pessoal do melhor do mundo.”
Agora vem uma parte com piada, para isto não parecer muito filosófico…
“Rajadas de sessenta quilómetros, isto não é nada”, grita-me o Manuel ao ouvido, tentando sobrepor-se ao barulho das ondas, do motor, do vento. “Nos Alpes apanhei rajadas de cento e vinte quilómetros. Nem conseguia caminhar.” Sugiro eu: ” Quando abrias a boca, saía-te logo um traque.” Ao contrário dos dentes cerrados de Magalhães, estes seus dois compatriotas navegavam às gargalhadas o estreito que lhe leva o nome.”
Aproveitem, se quiserem!